

Glossário de Eletricidade
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A eletricidade é uma energia derivada que pode ser produzida a partir da maioria das formas energéticas. O mais importante processo da sua produção consiste em recorrer a um gerador ou alternador que converte a energia mecânica fornecida por um processo térmico ou por uma turbina hidráulica. Na maior parte das suas aplicações, a eletricidade é uma energia de rede que deve ser produzida no momento do seu consumo. Com efeito, o seu armazenamento só é possível indiretamente e em aplicações muito restritas.
2.1
- Central Hidráulica ou Hidroelétrica - Instalação na qual a energia
mecânica da água é convertida em energia elétrica.


2.3
- Central Nuclear - Instalação na qual a energia libertada a partir
de combustível nuclear é convertida em energia elétrica.

2.4 - Central de Base - Central utilizada
principalmente para cobrir a base do diagrama de cargas.
2.5
- Central de Ponta - Central utilizada principalmente para cobrir
as pontas do diagrama de cargas.
2.6
- Consumo Próprio da Central - Energia elétrica consumida por uma
central nos seus serviços auxiliares, incluindo o
consumo quando está fora de serviço, bem como as perdas dos transformadores
principais.
2.7
- Consumo Específico de Calor - Quociente entre o equivalente calorífico
do combustível consumido e a quantidade de
energia elétrica produzida no intervalo de tempo considerado.
2.8
- Tempo de Funcionamento - Intervalo de tempo durante o qual uma
instalação, ou parte dela, fornece energia utilizável.
2.9
- Tempo de Disponibilidade Passiva - Intervalo de tempo durante
o qual uma instalação, ou parte dela, poderia fornecer
energia utilizável após o tempo normal de arranque.
2.10
- Tempo de lndisponibilidade Programada (Parte Planificada do Tempo de Indisponibllidade)
- Intervalo de tempo
durante o qual uma instalação, ou parte dela, não se encontra em condições
de funcionamento, devido a operações de
manutenção programadas.
2.11
- Tempo de lndisponíbilidade por Avaria (Parte Não Planificada do Tempo de
lndisponibilidade) - Intervalo de tempo durante o qual uma instalação,
ou parte dela, não se encontra em condições de funcionamento devido a avaria
imprevista.
2.12
- Tempo de Disponibilidade - Soma do tempo de funcionamento com
o tempo de disponibilidade passiva.
2.13
- Potência Nominal (Capacidade Instalada) - Potência máxima em
regime contínuo, para a qual a instalação foi
projetada. Normalmente vem indicada nas especificações fornecidas pelo fabricante
e na chapa afixada nas máquinas.
2.14
- Carga Própria de Energia (MWmed) - Demanda média requerida de
uma instalação ou conjunto de instalações
durante um período de referência - (relação entre a eletricidade gerada em
MWh e o tempo de funcionamento das instalações ).
2.15
- Carga Própria de Demanda (MWh/h) - Maior média de demanda medida
num intervalo de 60 segundos, verificada num período de referência.
2.16
- Fator de Carga Anual de um Sistema - Relação entre a carga própria
anual de energia de um sistema energético e a carga própria de demanda do
sistema ao longo do ano. Exprime-se em percentagem e pode utilizar-se na previsão
de variações do consumo. A fim de se terem em conta as variações climáticas,
quando se compara um ano com outro, o fator de carga real pode ser corrigido
para ter em conta condições climáticas médias.
2.17
- Fator de Carga - Relação entre o consumo num intervalo de tempo
determinado (ano, mês, dia, etc. ) e o consumo que resultaria da utilização
contínua da carga máxima verificada, ou outra especificada, durante o período
considerado.
2.18
- Demanda Instantânea - MW - Demanda requerida num determinado
instante.
2.19
- Pico de Demanda - MW - Máxima demanda instantânea requerida num
intervalo de tempo (dia, mês, ano, etc.).
2.20
- Carga de Base - Parte constante da carga de uma rede durante
um período determinado (por exemplo : dia, mês, ano).
2.21
- Carga de Ponta - Potência máxima à qual uma rede tem que fazer
face durante um determinado período (por exemplo: dia, mês, ano, hora, minuto).
2.22
- Fator de Capacidade - Relação entre a carga própria de energia
e a capacidade instalada de uma instalação ou conjunto de instalações.
3.1
- Instalação Elétrica - Conjunto de obras de engenharia civil,
edifícios, máquinas, aparelhos, linhas e acessórios que servem para a produção,
conversão, transformação, transporte, distribuição e utilização de energia
elétrica.
3.2
- Linha - Conjunto de condutores, isoladores e acessórios, usado
para o transporte ou distribuição de eletricidade.

3.3
- Subestação de Transformação - Instalação elétrica na qual, por
meio de transformadores, se realiza a transferência de energia elétrica entre
redes a tensões diferentes.
3.4
- Convertidor - Instalação elétrica que serve para transformar
um tipo de corrente noutro ou uma freqüência noutra.
3.5
- Retificador - Instalação elétrica destinada a transformar corrente
alternada (monofásica ou polifásica) em corrente contínua.
3.6
- Ondulador - Instalação destinada a converter corrente contínua
em corrente alternada.
3.7
- Rede Elétrica -
Conjunto de linhas e outros equipamentos ou instalações elétricas, ligados
entre si, permitindo o movimento de energia elétrica.
3.8
- Rede de Transmissão - Rede ou sistema utilizado para transmissão
de energia elétrica entre regiões ou entre países, para alimentação de redes
subsidiárias.

3.9
- Rede de Distribuição - Rede destinada à distribuição de energia
elétrica no interior de uma região delimitada.

3.10
- Alta Tensão - Tensão cujo valor entre fases é igual ou superior
a uma tensão dada, variável de país para país.
3.11
- Baixa Tensão - Tensão cujo valor entre fases é inferior a uma
tensão dada, variável de país para país
3.12
- Tensão Nominal -
Tensão que figura nas especificações de uma máquina ou de um aparelho, a partir
da qual se determinam as condições de ensaio e os limites da tensão de utilização.
3.13
- Tensão de Exploração (efetiva) - 'Tensão sob a qual se encontram
em serviço as instalações elétricas (produção, transporte, etc.).
3.14
- Consumo Próprio de uma Rede - Consumo de energia elétrica nas
instalações elétricas auxiliares ou anexas, necessárias ao bom funcionamento
da rede.
3.15
- Perdas de uma Rede - Perdas de energia que ocorrem no transporte
e/ou distribuição de energia elétrica, na rede considerada.
3.16
- Qualidade de Serviço de uma Rede Elétrica - Grau de conformidade
com cláusulas contratuais entre distribuidor e consumidor, de uma entrega
de energia elétrica num período de tempo determinado, ou, mais geralmente,
grau de perturbação de uma alimentação de eletricidade.
Nota:
Os elementos a tomar em conta para determinar a qualidade de serviço referem-se
: - ao tempo de não-fornecimento programado ou ocasional ; - ao respeito de
condições de alimentação admissíveis relativas à queda de tensão máxima aceitável,
ao vazio de tensão e ao nível das harmônicas de uma rede de corrente alternada.
As cláusulas contratuais de um fornecimento de eletricidade e, consequentemente,
a qualidade de serviço requerida, podem variar consoante a natureza dos aparelhos
elétricos alimentados.
4.1
- Corrente Contínua - Corrente cuja polaridade e intensidade são
constantes.
4.2
- Corrente Alternada - Corrente cuja polaridade e intensidade variam
periodicamente no tempo.
Nota
l: Distingue-se entre corrente monofásica e corrente trifásica.
Nota2: As freqüências usuais são : 16
2/3, 50 e 60 Hz.
4.3
- Potência Bruta - Potência elétrica nos terminais do gerador.
4.4
- Potência útil - Potência elétrica à saída da central.
4.5
- Potência Elétrica Máxima Possível - É a maior potência elétrica
que pode ser obtida numa central ou num grupo durante um tempo determinado
de funcionamento, supondo em estado de bom funcionamento a totalidade das
suas instalações e em condições ótimas de alimentação (combustível ou água).
4.6
- Potência Elétrica Disponível - Potência elétrica máxima que,
em cada momento e num determinado período, poderia ser obtida na central ou
no grupo, na situação real em que se encontra nesse momento, sem considerar
as possibilidades de colocação da energia elétrica que seria produzida.
4.7
- Potência de Mínimo Técnico -
A mais baixa potência com que uma central pode funcionar em condições técnicas
corretas.
4.8
- Energia útil Produzida - Energia elétrica à saída da central.
5.1
- Sala de Comando - Sala na qual estão instalados os quadros de
comando de uma instalação.
5.2
- Centro de Comando - Órgão cuja função é conduzir a exploração
das instalações de uma rede.
5.3
- Repartidor de Cargas (Despacho) - Órgão cuja função é comandar
a entrada em serviço e a saída dos grupos e das
centrais, repartindo as cargas. Em geral comanda igualmente a interligação
das redes diretamente interessadas.
5.4
- Telecomando Centralizado - Método de ligar e desligar grupos
de consumidores, geralmente por telecomando, da rede de distribuição.
5.5
- Regulação Primária -
Modificação da potência da turbina pelo seu regulador, em função da velocidade
de rotação (freqüência).
A utilização da energia cinética e potencial das águas pela Humanidade remonta a tempos imemoriais, já que desde sempre se instalaram variados dispositivos nas margens e nos leitos dos rios.
Foi, porém, no século XIX que o aproveitamento dessa forma de energia se tornou mais atraente do ponto de vista econômico pois, com a invenção dos grupos turbinas-geradores de energia elétrica e a possibilidade do transporte de eletricidade a grandes distâncias, se conseguiu obter um elevado rendimento econômico desse aproveitamento.
7. Termos Gerais da Energia Hidráulica
7.1
- Energia Hidráulica - Energia potencial e cinética das águas.
7.2
- Represa - Grande depósito formado artificialmente fechando um
vale mediante diques ou barragens e no qual se armazenam as águas de um rio
com o objetivo de as utilizar na regularização de caudais, na irrigação, no
abastecimento de água, na produção de energia elétrica, etc.
7.3
- Central Hidroelétrica -
Instalação na qual a energia potencial e cinética da água é transformada em
energia elétrica.
A. A central hidrelétrica armazena água e a faz passar por um tubo afunilado perto da turbina, aumentando sua velocidade.
B. A água entra na turbina gigante e faz girar as pás que ficam na parte inferior, fazendo com que o eixo principal entre em rotação.
C. O eixo faz girar os ímãs rotativos (que funcionam como um só), criando um poderoso campo magnético ao seu redor.
D. A corrente elétrica produzida pelo campo magnético passa através do metal condutor (envoltório fixo) e é conduzida às subestações, que distribuem a eletricidade.
7.4
- Central Hidroelétrica a Fio de Água - Central hidroelétrica num
curso de água, sem represa, reguladora de volume significativo.
7.5
- Central Hidroelétrica de Represa - Central hidroelétrica cuja
alimentação pode ser regulada graças a uma represa.
7.6
- Aproveitamento Hidroelétrico de Acumulação por Bombagem; Instalação para
Bombagem e Turbinagem - Central hidroelétrica que possui duas represas,
uma a montante e outra a juzante, bem como as respectivas instalações de bombagem
e de turbinagem, que permitem devolver à represa de montante a água armazenada
na represa de juzante, após a sua utilização na produção de energia.
7.7
- Central Maremotriz - Central hidroelétrica que utiliza o desnível
entre o mar e uma bacia do qual está separado, criado pelo efeito das marés.
8. Termos Relativos a Localização e Desníveis
8.1
- Bacia Hidrográfica - Superfície do terreno, medida em projeção
horizontal, da qual provém efetivamente a água de um curso de água até ao
ponto considerado.
8.2
- Nível Máximo de Exploração - É o nível mais alto permitido normalmente
numa represa (sem ter em conta as sobreelevações devidas a cheias). Corresponde
ao nível de pleno armazenamento da represa.
Nota: O nível máximo da represa corresponde ao maior nível admissível em caso de cheias.
8.3
- Nível Mínimo de Exploração -
É o nível mínimo admitido para a exploração de uma represa, medido num local
determinado.
Nota: Abaixo do nível mínimo de exploração pode fazer-se o esvaziamento da represa até ao nível da descarga de fundo.
8.4
- Folga - Distância vertical entre o coroamento da barragem e a
cota máxima que atinge a água na represa.
8.5
- Perda de Carga - Redução da energia útil provocada pelo escoamento
da água num circuito hidráulico.
9.1
- Armazenamento Diário - Armazenamento para o qual a represa tem
um ciclo diário de enchimento e esvaziamento.
9.2
- Armazenamento Semanal - Armazenamento para o qual a represa tem
um ciclo de enchimento e esvaziamento semanal.
9.3
- Armazenamento Sazonal - Armazenamento em que a represa tem um
ciclo de enchimento e esvaziamento sazonal.
9.4
- Armazenamento Anual -
Armazenamento em que a represa tem um ciclo de enchimento e esvaziamento anual.
9.5
- Armazenamento lnteranual - Armazenamento em que a represa permite
uma compensação das variações de hidraulicidade em ciclos de mais de um ano
de duração.
9.6
- Capacidade Útil - Volume de água disponível numa represa entre
o nível de pleno armazenamento e o nível mínimo de exploração normal.
9.7
- Zona lnundável - Zona de uma represa compreendida entre o mais
alto nível admitido pela sua exploração normal e o nível de água máximo possível
(nível de máxima cheia).
9.8
- Armazenamento Inativo (Volume Morto) - Volume retido na represa
abaixo do nível mínimo de exploração.
10.1
- Ano Hidrológico - Período de um ano (doze meses) baseado em critérios
de hidraulicidade.
10.2
- Ano Médio - Ano (fictício) cujas características hidráulicas
correspondem à média de uma série coerente do maior número de anos possível.
A série em que se baseia o ano médio ou normal deve ser especificada em cada
caso.
10.3
- Ano Úmido - Ano baseado em critérios estatísticos, em que o curso
de água tem afluências superiores à média.
10.4
- Ano Seco - Ano baseado em critérios estatísticos, em que o curso
de água tem afluências inferiores à média.
10.5
- Tempo de Exploração - Número de dias, num ano médio, durante
os quais o caudal é superior ao caudal de exploração.
11.1
- Caudal - Volume de água escoado através de uma seção, na unidade
de tempo.
11.2
- Caudal Utilizável -
Parte
do caudal total que, após as deduções de água obrigatórias previstas no caderno
de encargos e das perdas inevitáveis, fica disponível para as finalidades
do aproveitamento.
11.3
- Caudal Nominal (Turbina) -
Caudal para o qual a turbina é dimensionada.
11.4
- Caudal Nominal (Bombas) - Caudal para o qual a bomba é dimensionada.
11.5
- Afluências - Volumes de água que passam numa dada seção durante
um período de tempo determinado.
11.6
- Hidraulicidade - Relação entre as afluências no período observado
e as afluências correspondentes a um mesmo período no ano médio.
12. Termos Relativos ao Potencial Hidráulico Brasileiro
12.1
Potencial Teórico Hidráulico Bruto - Quantidade máxima de energia
elétrica que pode obter-se numa região determinada ou numa bacia hidrográfica
durante um ano médio, tendo em conta os desníveis correspondentes referidos
a um dado ponto dessa região ou bacia.
12.2
- Definição dos Estágios de Desenvolvimento do Potencial Hidráulico
12.2.1 - Remanescente - resultado de estimativa realizada em escritório, a partir de dados existentes, sem qualquer levantamento complementar, considerando um trecho do curso d'água, via de regra situado na cabeceira, sem determinar o local de implantação do aproveitamento;
12.2.2 - Individualizado - resultado de estimativa realizada em escritório para um determinado local, a partir de dados existentes ou levantamentos expeditos, sem qualquer levantamento detalhado;
12.2.3 - Inventário - resultado de estudo da bacia hidrográfica, realizado para a determinação do seu potencial hidrelétrico através da escolha da melhor alternativa de divisão de queda, caracterizada pelo conjunto de aproveitamentos compatíveis entre si e com projetos desenvolvidos de forma a obter uma avaliação da energia disponível, dos impactos ambientais e dos custos de implantação dos empreendimentos;
12.2.4 - Viabilidade - resultado da concepção global do aproveitamento, considerando sua otimização técnico-econômica, compreendendo o dimensionamento das estruturas principais e das obras de infra-estrutura local, a definição da respectiva área de influência, do uso múltiplo da água e dos efeitos sobre o meio ambiente;
12.2.5 - Projeto Básico - aproveitamento detalhado, com orçamento definido, em profundidade que permita a elaboração dos documentos de licitação das obras civis e do fornecimento dos equipamentos eletro-mecânicos;
12.2.6 - Construção - aproveitamento que teve suas obras iniciadas, sem nenhuma unidade geradora em operação;
12.2.7 - Operação - aproveitamento que dispõe de pelo menos uma unidade geradora em o operação.
12.3
- Composição do Pontencial Hidrelétrico Brasileiro - O valor do
potencial hidrelétrico brasileiro é composto pela soma da parcela estimada
(remanescente+ individualizada) com a inventariada. A parcela inventariada
inclui usinas em diferentes níveis de estudos - inventário, viabilidade e
projeto básico - além de aproveitamentos em construção e operação.
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POTÊNCIAL HIDRELÉTRICO BRASILEIRO 1996 |
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Estágio |
Potência (MW) |
Nº registros |
| Remanescente |
31.742,18 |
2345 |
| Individualizado |
66.762,91 |
732 |
| Total Estimado |
98.505,09 |
3.077 |
| Inventário |
47.486,37 |
478 |
| Viabilidade |
37.873,66 |
62 |
| Projeto Básico |
15.242,17 |
75 |
| Construção |
7.696,60 |
25 |
| Operação |
53.855,07 |
391 |
| Desativado |
8,82 |
12 |
| Total Inventariado |
161.162,69 |
1.043 |
| TOTAL |
259.667,78 |
4.120 |
Atualizado em 10-Dez-2000.
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